REVIEW: ICY BABY, NOVO ÁLBUM DE COLDE, É UMA VIAGEM PELA JUVENTUDE
‘ICY BABY é um lançamento que te leva para uma viagem. Colde soube contar sua história e, ao mesmo tempo, nos conectar com ela. Como um jovem cheio de sonhos, o artista revisita seu início de carreira, suas conquistas e diferentes questões da juventude. É como uma conversa, mas com melodias que imergem o ouvinte e com aquela vibe que Colde sabe fazer tão bem.
A música tem um importante papel de marcar fases das nossas vidas e se tornar trilha sonora de momentos que carregamos para sempre. A forma como Colde em ‘ICY BABY retrata a juventude no álbum nos convida, inconscientemente, para uma conversa com nós mesmos. Uma visita aos primeiros sonhos, ao amadurecimento e, principalmente, a olhar com mais carinho para essa fase tão intensa da vida.
Colde revisita diferentes momentos da juventude, do entusiasmo de seus primeiros dias criando música aos erros afetivos, à independência, às incertezas e à confiança de quem começa a enxergar o próprio caminho com mais clareza. Após três anos de seu último lançamento, o artista retorna com um trabalho que reúne diferentes momentos dessa trajetória e conta ainda com participações de punchnello, Khakii, DIMO REX, JJANGYOU e Choi WomBin.
Revisitando sentimentos
E essa viagem começa com “ICY”, faixa que já apresenta um Colde confiante, consciente de tudo que conquistou e, principalmente, de tudo que ainda quer alcançar. A música carrega a atitude de quem escolheu acreditar no próprio sonho e não pretende desviar do caminho. Em determinado momento, ele canta:
“Não me interesso por mais nada, só pelo meu sonho. Estou chegando cada vez mais perto.”
A frase resume bem o espírito que aparece no início do álbum. Colde já chegou a lugares que talvez aquele jovem que começou a fazer música pudesse apenas imaginar, mas ainda existe nele a mesma vontade de continuar avançando. É quase como se, depois de conquistar tanto, ele precisasse se manter firme nos próprios objetivos para não perder de vista quem queria ser.
Em “DRIPPY”, essa ideia ganha ainda mais força. A faixa olha para seus primeiros dias na música e para a energia do período do Club Eskimo, mas não soa como alguém preso ao passado. Pelo contrário: Colde reconhece o quanto tudo mudou enquanto reafirma que algumas coisas permaneceram. “Everything changed, but I stay the same / I’m still here now” funciona quase como um retrato dessa trajetória: o cenário mudou, a carreira cresceu, mas aquela vontade de criar continua ali.
Juventude, amores e conquistas em ICY BABY
E, a partir daí, conseguimos sentir com ainda mais intensidade a sua mensagem. A juventude é uma fase de aprendizados, que deixa marcas em nós, mas que também merece ser revisitada com empatia. Olhar para o passado é também entender as experiências que nos guiaram até tudo o que vivemos hoje.
A complexidade da vida está em tudo: nos planos, no trabalho, nos amores confusos, na busca por crescimento financeiro e nas escolhas que fazemos pelo caminho. A vida pode ser tudo ao mesmo tempo, e talvez o diferencial esteja justamente em continuar em movimento.
Em “PULL UP”, por exemplo, a confiança dá lugar a uma lembrança mais complicada. A música revisita um amor imaturo, daqueles que tentamos fingir que não nos afetam até perceber que talvez tenhamos perdido alguém importante. Na sequência, “GIRLS ♡” traz a espontaneidade de simplesmente querer alguém, se divertir, dançar, se apaixonar e viver o momento. Uma pausa mais leve dentro dessa viagem, em que Colde deixa as grandes questões de lado para simplesmente aproveitar uma conexão.
Já “DOLLAR BILLS” muda novamente o cenário. A faixa olha para a construção da independência e para a trajetória que levou Colde e Khakii a criarem a WAVY. É a lembrança de quando ainda não havia nada e a vontade de fazer acontecer era o que existia.
Crescer não significa entender tudo
E nesse momento, “LIFE IS A MOVIE” conecta os acontecimentos. Colde compara sua própria história a um filme, mas não como alguém que já sabe qual será o final. Ele continua correndo até os créditos finais, enquanto tenta alcançar aquilo que ainda deseja.
“A vida está ficando difícil, mas é apenas um filme. Já vi os créditos finais tantas vezes. É a vida. Minha vida é louca.”
A partir daí, o álbum começa a ganhar uma confiança diferente. “BIG TALK” é quase uma declaração de ambição. Colde não está mais falando sobre chegar a algum lugar: ele já está em movimento e sabe que quer ir ainda mais longe. É a confiança de alguém que aprendeu a não diminuir seus sonhos para caber nas expectativas dos outros.
E então o álbum termina de uma forma que, para mim, faz toda essa viagem valer ainda mais a pena.
Em “SHUT DA FUCKA AND GO”, Colde deixa de olhar apenas para a própria história e fala diretamente com quem pode estar vivendo suas próprias dúvidas. Ele lembra que a vida não vem com respostas prontas, que sempre existirão problemas e que ninguém tem todas as certezas. No fim, a mensagem é simples: pare de pensar tanto, siga o que você acredita e vá viver.
Talvez seja esse o ponto mais bonito de Colde em ICY BABY. Ele olha para trás, reconhece os erros, as conquistas, as dúvidas e os sonhos que o trouxeram até aqui, mas não transforma essa experiência em uma fórmula para ninguém. Ele apenas compartilha o caminho.
E, no final, fica aquela sensação de que crescer não significa deixar para trás quem você foi, mas carregar essas versões de si mesmo enquanto continua caminhando.

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