REVIEW: SZN4 MOSTRA A POTÊNCIA DE QUATRO VOZES EM SEU PRIMEIRO ÁLBUM

Os vocais mais potentes de Building the Band não poderiam entregar nada menos do que um álbum o que acontece quando elas encontram umas nas outras o espaço perfeito para brilhar. “I Fear…”, o primeiro álbum do SZN4 é, acima de tudo, uma apresentação. Não só de um grupo que acaba de nascer, mas de quatro artistas que já carregavam suas próprias identidades antes de se encontrarem e que agora descobrem o que podem construir juntos.

E talvez essa seja a parte mais interessante de ouvir SZN4: você consegue reconhecer cada uma das quatro vozes, mas também percebe o quanto elas se transformam quando estão juntas. O álbum passeia principalmente pelo pop e pelo R&B, mas não fica preso a eles. Há momentos mais lentos, faixas guiadas pelo piano, músicas mais introspectivas e outras que chegam com batidas muito mais marcadas. A atmosfera muda diversas vezes ao longo do disco, mas existe algo que permanece: a conexão entre as quatro vozes.

Em vários momentos, elas se sobrepõem e criam quase um coral. Uma voz complementa a outra, as harmonias aparecem de forma natural e, mesmo quando uma integrante ganha mais espaço, existe sempre a sensação de que as outras estão ali para completar aquela história.

É uma das coisas que mais chama atenção no álbum. Não é simplesmente um caso de quatro vocalistas talentosos dividindo músicas. Existe uma química que faz com que você queira ouvir o que acontece quando eles cantam juntos.

E isso ganha ainda mais significado quando lembramos de como o SZN4 surgiu em Building the Band. Eles se escolheram. E ouvir o álbum é ter a confirmação de que fizeram a escolha certa.

Ritmos e sensações

Closer, que abre o disco e já havia sido lançada anteriormente, é uma boa demonstração disso. Mais lenta e guiada pelos vocais, a faixa permite perceber a individualidade de cada integrante antes de mostrar como essas vozes se encontram. É uma apresentação delicada para um álbum que, depois, vai aumentando sua intensidade e explorando diferentes caminhos.

E eles realmente exploram. Há momentos em que o R&B assume o protagonismo, outros em que o piano deixa tudo mais íntimo e faixas que mudam completamente a energia do disco. Soirée traz uma atmosfera mais dançante e uma sonoridade que parece olhar para outras épocas, enquanto Imprint retorna ao R&B e mostra novamente a força dos vocais. Depois, Pop That Trunk muda o ritmo mais uma vez, com uma batida marcada e uma energia muito mais alta.

O interessante é que nenhuma dessas mudanças parece tirar o SZN4 do lugar. Talvez porque a identidade do álbum não esteja em fazer sempre a mesma coisa, mas em descobrir até onde essas quatro vozes conseguem chegar.

O SZN4 consegue ser pop, R&B, mais lento, mais dançante, mais íntimo e mais expansivo sem perder aquilo que faz o grupo funcionar. Em uma indústria que muitas vezes parece seguir fórmulas bastante parecidas, existe algo refrescante em ouvir um grupo que não parece precisar escolher um único caminho para provar que sabe o que está fazendo.

No fim, o álbum retorna para Back to Me, a primeira música apresentada pelo grupo. E fechar justamente com uma faixa que já conhecemos cria uma sensação interessante: depois de passar por tantas possibilidades, voltamos para o ponto de partida. Só que agora conhecemos muito melhor essas quatro vozes.

E, depois de ouvir o álbum, fica difícil não querer descobrir até onde essa conexão ainda pode chegar.

 

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